MED 2.0: O risco de devolver um Pix recebido por engano
MED 2.0: O risco de devolver um Pix recebido por engano
21 de setembro de 2026 MED 2.0: O risco de devolver um Pix recebido por engano
Desde 2 de fevereiro de 2026, a Resolução BCB 493/2025 colocou em vigor o MED 2.0, mecanismo que rastreia a movimentação de um valor suspeito por até cinco contas na cadeia da transação. Isso significa que devolver um Pix recebido por engano como uma transferência comum, em vez de usar o mecanismo formal de devolução, pode colocar a conta PJ dentro dessa cadeia de rastreio. É prática comum na tesouraria resolver rápido: identificou o valor errado, devolve na hora, segue o dia. O problema é que essa solução rápida, depois de fevereiro de 2026, carrega um risco que não existia antes.
O que o MED 2.0 mudou na devolução de Pix
O novo mecanismo estabeleceu prazo de 80 dias para contestação e devolução em até 11 dias úteis, quando a devolução ocorre pelo canal formal. Desde 11 de maio de 2026, o rastreio funciona por grafos em produção, que mapeiam a cadeia de contas por onde um valor suspeito passou, não apenas a conta de origem e destino da transação isolada. Na prática, o Banco Central deixou de olhar só para o Pix que chegou até a empresa e passou a olhar para todo o caminho que o dinheiro percorreu antes e depois.
Por que devolver um Pix “na mão” é um risco para a empresa
Quando a tesouraria devolve um valor recebido por engano como um Pix novo, em vez de usar o mecanismo formal de devolução, essa movimentação entra no mesmo rastreio de cadeia que o MED 2.0 aplica a qualquer conta pela qual o valor suspeito passou. A conta PJ pode ser alcançada por esse rastreio mesmo sem qualquer participação na fraude original, simplesmente por ter recebido e movimentado o valor fora do canal formal. A partir de outubro de 2026, o MED ganha autoatendimento nos aplicativos bancários, o que deve tornar o canal formal mais acessível e reduzir a razão prática para devolver informalmente.
Controles de tesouraria para recebimento e devolução de Pix com segurança
O primeiro controle é simples: nenhuma devolução de Pix recebido por engano deveria sair da conta da empresa como uma transferência comum. O segundo é treinar quem lida com recebimentos para reconhecer sinais de valor suspeito antes de decidir como devolver, já que a escolha do canal é o que determina se a empresa entra ou não na cadeia de rastreio. O terceiro é acompanhar a chegada do autoatendimento do MED em outubro, que deve simplificar o processo formal e reduzir o tempo entre identificar o erro e resolver pelo canal correto.
Esse é o tipo de controle que evita que um erro do pagador vire um problema da tesouraria da empresa. Converse com a Supply Midia sobre controles de recebimento e devolução de Pix.
Anna Brito 


